#003 criticamos – Ondine (2009)

*atenção, esse texto contém spoilers

Ondine

Inicio este post dizendo que nunca me interessei por histórias de sereias, e nunca gostei muito de filmes passados no mar, ou próximo dele. Mas Ondine mudou meu jeito de ver essas duas coisas.

Filme irlandês, escrito e dirigido por Neil Jordan, que dirigiu o famoso Entrevista com Vampiro (1994) com Brad Pitt e Tom Cruise no elenco, que aqui faz um ótimo trabalho.

Ondine conta a história de Syracuse (Colin Farrell), pescador divorciado, ex-alcoolatra, que vive sua vida trabalhando no mar, e dedica o resto do seu tempo para sua filha Annie (Alison Barry) que tem insuficiência renal e mora com a mãe. Durante sua rotina diária de pescaria ele se depara com um momento incomum ao pescar uma mulher com sua rede, a bela e confusa Ondine (Alicja Bachleda), que no inicio do filme não se lembra do nome e não quer de maneira alguma que ela seja vista por outra pessoa senão Syracuse, seu salvador.

O filme tem uma fotografia linda que faz com que você entre no clima da história que se passa na Irlanda, e a trilha sonora conta com a talentosíssima cantora irlandesa Lisa Hannigan (pra quem não conhece, ela fez participações nos dois discos de Damien Rice) e com a banda Sigúr Ros.

O fato de Ondine ter sido encontrada no mar, intriga a pequena, mas, astuta Annie, que rapidamente relaciona a chegada da bela jovem à uma lenda irlandesa que fala sobre as Selkies, uma especie de sereia que habita aquelas aguas.

A trama transcorre entre as descobertas da origem de Ondine, e da relação de Syracuse, com seu passado sombrio por causa do alcoolismo e de sua relaçao com a cominidade que constantemente o chama pelo apelido de Circus, devido a sua vida de boêmio no passado. Temos algumas cenas em que o protagonista vai ao confessionário da igreja falar com o Padre/Amigo sobre o seu periodo de abstinência, pois o vilarejo não possui nenhum A.A. (Alcoolicos Anônimos com link se alguém necessitar).

O filme é tratado com bastante carinho pelo diretor, com tomadas de ótimo gosto, tornando a experiência de assistir agradabilíssima, e dando ritmo a trama. O roteiro tem algumas falhas que comprometem um pouco a película, sendo que a parte em que Syracuse volta a beber é um pouco confusa, pois não fica claro durante todo o filme esse conflito interno. Durante todo o filme, o protagonista demonstra ter total controle sobre a sua necessidade de consumir alcool, e quando a sua Ex-Esposa lhe oferece um Whisky, ele nega por uma vez e na segunda oferta já aceita com facilidade, expondo o buraco no roteiro.

As atuações principais cumprem seus papéis sem decepcionar, porém sem impressionar também. Exceto pela jovem Alison Barry, que está muito bem como a esperta Annie.

No mais, o filme surpreende com uma história bonita, bem contada e interessante, sendo uma ótima pedida em dias chuvosos, para assistir tomando um chocolate quente e bem acompanhado.

Nota 7,0

Confira o trailer do filme logo abaixo:

Diego Pitta
Cinéfilo Estagiário