#002 notas poéticas – DOR por Ruth Borges

Dor…

Por que tu não me deixas em paz?
Por que insiste em despedaçar meu peito?
Por que, Dor?
O que te fiz de tão ruim para querer me destruir?

Por que me acertas com tanta aspereza
Por que não me dá opção?
Por que, Dor?
Por que não me deixaste livre?

Por que não desiste de voar pelos
Céus de minha imaginação…
Por que, maldita Dor,
Sapateias no plano da minha fragilidade?

Por que, por que, por que,
Toda noite vem roubar meu sono?
E do passado me fazer lembrar?
Por que me açoitas com tanta crueldade?
Por que não me deixas caminhar?

Por que descalçaste os pés da minha esperança?
Por que me despiste em meio ao frio e a escuridão?
Por que me deixaste sozinha ao relento,
Por que roubaste-me o coração?

Ruth

#001 notas poéticas – AURORA por Ruth Borges

O Culturamos é um lugar onde todas as formas de arte e cultura são bem vindas, portanto agora iniciamos também o espaço para divulgação de poesias.
Serão diversos autores publicando seus textos aqui! Acompanhem e comentem!!

Aurora…

Hoje quando os primeiros raios de sol entraram pelos vãos de minha janela,
Despertei…
Lentamente me virei em meu leito, buscando novamente sua face adormecida…
Em silêncio viajei pelos vãos do seu rosto,
Me deleitando na suavidade de suas linhas…

Desejei ficar assim para sempre, a te observar…
Como uma lunática que aos céus não se cansa de olhar…
Desejei que fosse eterno…
Desejei que o tempo não parasse…

Não queria acordar… então sufoquei meu grito de dor com lágrimas quentes,
Que queimaram minha mente, me impediram de respirar…
Sabia que em poucos minutos iria ter que conviver ao lado da solidão…
E que seria a tristeza que estenderia a mim sua mão…

Sabia que se escolhesse abrir os olhos,
Você já não estaria ali para acalentar-me,
Que fugiria diante dos meus olhos,
Como fumaça se esvairando pelo ar…

Que seu cheiro só seria-me uma lembrança…
E sua imagem como um reflexo no mar…
Como escolher entre acordar e morrer por dentro, ou continuar adormecida
Tentando a realidade evitar?
Escolhi abrir os olhos mas o que enxerguei foi escuridão…

Lá fora o sol continuava subindo, mas a dor me impedia de ver seu brilho…
Me senti cega, pois você foi meu guia…
Me senti sem fala, pois você foi minha inspiração…
Me senti sem esperança pois você foi meu sonho…
Foi meu motivo pra continuar lutando…

Sem você acabou-me a batalha…
Mas fugiu-me também a vitória…
Sem você me senti liberta,
Mas não tive gloria…
Sem você não tem graça contemplar a Aurora…

Ruth