#001 notas poéticas – AURORA por Ruth Borges

O Culturamos é um lugar onde todas as formas de arte e cultura são bem vindas, portanto agora iniciamos também o espaço para divulgação de poesias.
Serão diversos autores publicando seus textos aqui! Acompanhem e comentem!!

Aurora…

Hoje quando os primeiros raios de sol entraram pelos vãos de minha janela,
Despertei…
Lentamente me virei em meu leito, buscando novamente sua face adormecida…
Em silêncio viajei pelos vãos do seu rosto,
Me deleitando na suavidade de suas linhas…

Desejei ficar assim para sempre, a te observar…
Como uma lunática que aos céus não se cansa de olhar…
Desejei que fosse eterno…
Desejei que o tempo não parasse…

Não queria acordar… então sufoquei meu grito de dor com lágrimas quentes,
Que queimaram minha mente, me impediram de respirar…
Sabia que em poucos minutos iria ter que conviver ao lado da solidão…
E que seria a tristeza que estenderia a mim sua mão…

Sabia que se escolhesse abrir os olhos,
Você já não estaria ali para acalentar-me,
Que fugiria diante dos meus olhos,
Como fumaça se esvairando pelo ar…

Que seu cheiro só seria-me uma lembrança…
E sua imagem como um reflexo no mar…
Como escolher entre acordar e morrer por dentro, ou continuar adormecida
Tentando a realidade evitar?
Escolhi abrir os olhos mas o que enxerguei foi escuridão…

Lá fora o sol continuava subindo, mas a dor me impedia de ver seu brilho…
Me senti cega, pois você foi meu guia…
Me senti sem fala, pois você foi minha inspiração…
Me senti sem esperança pois você foi meu sonho…
Foi meu motivo pra continuar lutando…

Sem você acabou-me a batalha…
Mas fugiu-me também a vitória…
Sem você me senti liberta,
Mas não tive gloria…
Sem você não tem graça contemplar a Aurora…

Ruth

#004 criticamos – A Lenda dos Guardiões (2010)

*atenção, esse texto contém spoilersCorujas, sim, um filme interinho com corujas. Tinha tudo para ser fofo e chatíssimo, mas Zack Snyder está no comando, e transformou essa história em uma aventura super divertida e emocionante!

Sem duvida alguma, A Lenda dos Guardiões é uma das animações mais bem produzidas que eu já vi. Por varios momentos no filme me peguei pensando se algumas das cenas não teriam sido gravadas com corujas de verdade, tamanha a perfeição nas cenas. Tudo isso unido ao talento de Zack Snyder só podia dar muito certo. E deu.

O filme conta a história de Soren (voz de Jim Sturgess ), uma coruja sonhadora, que cresceu ouvindo do pai, contos sobre os lendários Guardiões das Terras de Ga’Hoole, bravos guerreiros que enfrentaram e derrotaram os cruéis Puros, em uma batalha épica muitos anos antes. Seu irmão Kludd cresceu ouvindo as mesmas histórias, mas nunca sentiu nenhuma afeição pelos lendários guerreiros de Ga’Hoole, sempre zombou do irmão por ser um “sonhador”.

A inveja que Kludd tem de seu irmão Soren é muito bem exposta logo no inicio da aventura, pois esta inveja é um dos pilares do roteiro, que explora muito bem a relação entre os dois irmãos. Isso sem contar em outros inumeros personagens que aparecem durante a trama, que dão sustentação a história e auxiliam na melhor definição do caráter dos dois jovens.

Durante um treino de vôo noturno, os dois irmão se vêem numa enrascada, pois caem do ninho, e como são muito jovens, ainda não sabem voar. Nesse momento eles são capturados por corujas enormes, e são levados junto com outras jovens corujas, para o local o onde os malévolos Puros estão preparando sua vingança contras os guerreiros de Ga’Hoole, que outrora os derrotaram.

Lá eles encontram um exército de corujas sendo formado por Metalbeak, líder dos Puros, conhecido por seu bico ter sido destruído durante a batalha contra os guerreiros do bem, líderados por Lize de Kiel, herói das histórias contadas pelo pai de Soren. Metalbeak usa uma mascara de ferro para esconder as cicatrizes da batalha!

Mesmo capturado, Soren não desiste de sonhar e acrditar que existe uma maneira de libertar seus amigos e seu irmão Kludd, esse que por sua vez não quer mais voltar pra casa e é recrutado como soldado de Metalbeak, se tornando imediatamente inimigo de seu próprio irmão. Soren porém conta com a ajuda de uns dos soldados de Metalbeak para fugir e encontrar os Guardiões, que até então ele acreditava ser lenda. Nessa jornada em busca dos ledários guerreiros, Soren conta com a companhia de Gylfie, uma bela coruja-anã, que também havia sido capturada.

A jornada em busca dos Guradiões nos mostra belas imagens, e cenas incríves, que mostram a forma diferenciada de Zack Snyder filmar. Como já dito antes o roteiro é muito bem organizado e conta a historia de forma eficaz, dando espaço para o desenvolvimento de cada personagem. A direção de Snyder eleva a historia com cenas épicas, desde os vôos alucinantes, as batalhas que por incrível que pareça são lindas e bem executadas. Eu tive medo do diretor usa em excesso o efeito “slow motion”, mas ele foi ponderado e usou apenas o necessário.

O filme não é perfeito, cai nos clichês do mocinho que acredita que todo mundo é bonzinho e tem salvação, e no vilão com cicatriz na cara que quer dominar o mundo, mas aqui até mesmo os clichês são bem usados na trama. Ponto pro Zack!!

A aventura de Soren é emocionante, com batalhas épicas e muita diversão, um filme para assistir com a familia toda, pois todos vão amar essa historia de amizade, união e garra.

Nota 8,5

De uma olhada no trailer logo abaixo:


Trailer A Lenda dos Guardiões (dublado) por amplitudebyenzo

Diego Pitta

Conéfilo Estagiário

#003 criticamos – Ondine (2009)

*atenção, esse texto contém spoilers

Ondine

Inicio este post dizendo que nunca me interessei por histórias de sereias, e nunca gostei muito de filmes passados no mar, ou próximo dele. Mas Ondine mudou meu jeito de ver essas duas coisas.

Filme irlandês, escrito e dirigido por Neil Jordan, que dirigiu o famoso Entrevista com Vampiro (1994) com Brad Pitt e Tom Cruise no elenco, que aqui faz um ótimo trabalho.

Ondine conta a história de Syracuse (Colin Farrell), pescador divorciado, ex-alcoolatra, que vive sua vida trabalhando no mar, e dedica o resto do seu tempo para sua filha Annie (Alison Barry) que tem insuficiência renal e mora com a mãe. Durante sua rotina diária de pescaria ele se depara com um momento incomum ao pescar uma mulher com sua rede, a bela e confusa Ondine (Alicja Bachleda), que no inicio do filme não se lembra do nome e não quer de maneira alguma que ela seja vista por outra pessoa senão Syracuse, seu salvador.

O filme tem uma fotografia linda que faz com que você entre no clima da história que se passa na Irlanda, e a trilha sonora conta com a talentosíssima cantora irlandesa Lisa Hannigan (pra quem não conhece, ela fez participações nos dois discos de Damien Rice) e com a banda Sigúr Ros.

O fato de Ondine ter sido encontrada no mar, intriga a pequena, mas, astuta Annie, que rapidamente relaciona a chegada da bela jovem à uma lenda irlandesa que fala sobre as Selkies, uma especie de sereia que habita aquelas aguas.

A trama transcorre entre as descobertas da origem de Ondine, e da relação de Syracuse, com seu passado sombrio por causa do alcoolismo e de sua relaçao com a cominidade que constantemente o chama pelo apelido de Circus, devido a sua vida de boêmio no passado. Temos algumas cenas em que o protagonista vai ao confessionário da igreja falar com o Padre/Amigo sobre o seu periodo de abstinência, pois o vilarejo não possui nenhum A.A. (Alcoolicos Anônimos com link se alguém necessitar).

O filme é tratado com bastante carinho pelo diretor, com tomadas de ótimo gosto, tornando a experiência de assistir agradabilíssima, e dando ritmo a trama. O roteiro tem algumas falhas que comprometem um pouco a película, sendo que a parte em que Syracuse volta a beber é um pouco confusa, pois não fica claro durante todo o filme esse conflito interno. Durante todo o filme, o protagonista demonstra ter total controle sobre a sua necessidade de consumir alcool, e quando a sua Ex-Esposa lhe oferece um Whisky, ele nega por uma vez e na segunda oferta já aceita com facilidade, expondo o buraco no roteiro.

As atuações principais cumprem seus papéis sem decepcionar, porém sem impressionar também. Exceto pela jovem Alison Barry, que está muito bem como a esperta Annie.

No mais, o filme surpreende com uma história bonita, bem contada e interessante, sendo uma ótima pedida em dias chuvosos, para assistir tomando um chocolate quente e bem acompanhado.

Nota 7,0

Confira o trailer do filme logo abaixo:

Diego Pitta
Cinéfilo Estagiário

#002 criticamos – O Turista (2010)

*atenção, esse texto contém spoilers

Esse foi um filme que eu criei uma certa expectativa, afinal juntar Angelina Jolie e Johnny Depp, em Paris e Veneza, um trailer interessante, mas a expectativa me traiu desta vez. O diretor Florian Henckel von Donnersmarck bem que tentou dar um certo ânimo pra essa película, mas infelizmente não foi possível.

O roteiro é fraco, e compromete o filme, que tinha potencial para ser muito bom, mas acaba sendo chato e entediante. A química entre Depp e Jolie praticamente não existe, e a história se perde desde o começo.

O filme inicia com a belíssima Elise (Angelina Jolie) sendo espionada pela policia, enquanto toma um café recebe uma carta vinda de Alexander Peirce, seu namorado/companheiro sumido, personagem que todos estão procurando no filme, inclusive ela, pois o filha da mãe roubou nada mais, nada menos que 2,3 bilhões de euros de Reginald Shaw (Steven Berkoff), um poderoso gangster russo. Toda a trama se passa em torno da busca pelo Alexander Pierce, que envia essa carta para Elise orientando-a a pegar um trem, e nesse trem procurar um cara com o mesmo porte fisico dele, e fazer com que a policia pense que esse cara é ele, deu pra entender?

Ao seguir as intruções, ela entra no trem e se senta junto com um homem com o mesmo porte do tal Alexander, esse cara é Frank Tupelo (Johnny Depp), um simples professor em Winsconsin, que está indo a turismo para Veneza, na Itália.

Olhando a trama dessa maneira, parece bastante interessante, mas na prática deixou a desejar, pois a história corre de uma maneira que, quem assiste não consegue identificar o motivo de tanto corre-corre. Ainda no meio, dessa busca incansável da policia atras de Alexander, temos o inspetor John Acheson (Paul Bettany) que já levou esse caso para o lado pessoal, estando paranóico achando que todos que se aproximam de Elise, é Alexander. Entre tanta paranóia, falta tempo para nós conhecermos melhor os personagens, suas motivações, o que atrapalha totalmente o final do filme. Johnny Depp, não parece à vontade no papel de Frank (nem deveria), e Paul Bettany soa forçado como inspetor John. Jolie é a melhor em cena, junto com Steven Berkoff.

Um dos bons momentos do filme são as cenas em que Frank olha para Elise com aqueles olhos de desejo respeitoso, de quem quer mas não se acha capaz de conseguir. A cena em que Elise beija Frank no intuito de a policia pense que ele é Alexander deixa bem claro que ela já conquistou o coração do inseguro professor de matemática.

Não vou contar o filme todo, mas sei que entre o que parece ser, e o que é, O Turista deixou um grande buraco, que nem toda a beleza de Jolie e o talento de Johnny Depp dão jeito.

É um filme que diverte, e mostra as belezas de Veneza, mas se for assistir, tome um energético antes, pois dá um pouco de sono.

NOTA 6,0

Diego Pitta

Cinéfilo Estagiário

#001 criticamos – Rio (2011)

*atenção, esse texto contém spoilers

Saudações culturadoradores e afins, sendo essa a primeira crítica postada no Culturamos, deixo bem claro que não sou formado, nem nunca estudei crítica cinematografica, portanto o que eu disser aqui, vem da MINHA percepção, e opinião em relação aos filmes. Falarei de alguns detalhes técnicos, mas da minha maneira.

RIO tinha tudo para ser um filme perfeito, afinal é a historia de uma Arara Azul, pássaro brasileiro, dirigido por um brasileiro, o Sr. Carlos Saldanha e se passa em um dos mais belos cartões postais do país, o Rio de Janeiro. Mas logo no início do filme uma coisa me incomodou, a maneira como o Brasil foi descrito.

Se eu fosse gringo e visse o filme eu pensaria o seguinte: “- porra, no Brasil só tem samba, futebol e ladrão”, pois o filme começa “estereotipando” o país, com todos os pássaros literalmente “sambando”, e durante varias vezes no filme podemos ver que todos param de fazer o que estão fazendo para assistir o futebol. Tem um momento que o bandido para a perseguição para ver um lance do jogo do Brasil que está passando na TV. Quanto ao ladrão, mostra e de certa forma generaliza que, toda criança quando precisa de dinheiro, recorre a formas ilícitas de ganhá-lo, como o jovem que captura e leva as Araras Blu e Jade para os contrabandistas. Mesmo depois de tentar “consertar” a imagem do garoto, fica aquilo na cabeça. A maldita primeira impressão que fica.

Não digo que esses fatos citados acima não existam, e existem de forma expressiva, mas temos muito mais no RIO que passistas de samba andando semi-nuas nas ruas, fanáticos por futebol e contrabandistas.
É pertinente lembrar da cena em que o segurança, no meio do serviço pára tira a roupa e começa a sambar vestido com uma fantasia de carnaval. Vindo de um diretor brasileiro achei bastante constrangedor.

A historia do filme é simples e sem grandes emoções, sendo que o carisma dos personagens unidos as belezas cariocas carregam o filme nas costas, unidos a uma excelente trilha sonora. Mas, no geral o filme agrada e diverte muito, confesso que ri muito com as tiradas dos amigos cariocas do Blu, e com a nem tão doce Jade, ávida por liberdade.

RIO fica muito aquém de A Era do Gelo, outra produção com a participação de Carlos Saldanha, mas é um bom registro do Rio de Janeiro e de UMA PARTE da nossa cultura.
Vale o ingresso.

NOTA 7,0

Diego Pitta
Cinéfilo Estagiário